sábado, 17 de junho de 2017

Marcelo Crivella e o Carnaval Carioca

Esta semana, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, do PRB, gerou um grande desconforto no mundo do samba, que movimentou as redes sociais e fora dela, após ser noticiado em diversos dos maiores veículos do país, como o site G1, Veja.com, Folha e El Pais Brasil a declaração da decisão de realizar um corte na verba destinada as escolas de samba do carnaval carioca em benefício da criação de creches. Muitos se manifestaram a favor e uma outra parcela se disse contra a polêmica decisão de Crivella, seja por serem simpatizante e gostarem de brincar os 3 dias da folia de momo ou por obter algum benefício advindo da festa. Afinal, nem tudo é apenas diversão porque o carnaval gera uma grande soma de dinheiro e oportunidades temporárias para os cidadãos residentes no estado.


Essa disputa envolve as 12 escolas de samba do grupo especial (aquelas que fazem parte da primeira divisão do carnaval carioca e que desfilam no domingo e na segunda-feira do evento) que não concordam com a decisão de Marcelo Crivella em cortar 50% dos dois milhões do dinheiro público que cada uma delas receberia e, por isso haviam ameaçado não desfilar na Marquês de Sapucaí em 2018. Segundo Crivella, uma parte desse dinheiro será destinado a ampliação do orçamento para a criação de creches da rede pública municipal que atende atualmente 15 mil  crianças carentes, e assim passaria a destinar R$20,00 diários que devem ser pagos a partir de agosto para cada uma destas, o dobro dos atuais R$10,00. Lembrando que no início do ano, o prefeito já havia causado um mal-estar entre os frequentadores do mundo do samba ao decidir não ir a cerimônia de entrega da chave da cidade ao Rei Momo. 

Essa rechonchuda figura carnavalesca foi inspirada em um personagem da antiguidade clássica. Na mitologia grega, Momo era o deus do sarcasmo e do delírio que usando um gorro com guizos e segurando em uma mão uma máscara e em outra uma boneca, vivia rindo e tirando sarro dos outros deuses. Com esse jeito esculachado, acabou sendo expulso do Olímpo, a morada dos deuses. Antes da era cristã, gregos e romanos, incorporaram essa figura mitológica a algumas de suas comemorações, principalmente as que envolviam sexo e bebida. Na Grécia, os primeiros Reis Momos que se tem notícia desfilavam em festas de orgia por volta dos séculos 5 e 4 a. C. (fonte Mundo Estranho). E qualquer semelhança com o carnaval não é mera coincidência.

Como justificativa a decisão de alocar as verbas às creches do município, o prefeito Marcelo Crivella fez a seguinte declaração: "O carnaval é muito mais do que carros alegóricos. Vivemos restrições orçamentárias. É uma questão para refletir se vamos usar esses recursos para uma festa de 3 dias ou durante os 365 dias do ano."

Por meio de nota enviada aos veículos da imprensa, a Secretaria de Turismo do Rio, Riotur, responsável pelos desfiles das escolas de samba, se posicionou sensatamente ao informar que o corte de verba não é motivo para gerar toda essa polêmica e afirmou que o carnaval do ano que vem está garantido alegando que diante da atual crise torna-se indispensável remanejar a verba para priorizar o essencial como a alimentação e a educação das crianças nas creches. A Liga independente das escolas de samba, Liesa, já havia ameaçado não desfilar no carnaval 2018 justificando que o corte de verba tornaria o desfile inviável.

No início das comemorações de abertura do carnaval deste ano, Crivella se posicionou contrário a margem de interpretação da tradição como se gerasse o sentido de obrigação e a isso ele fez o seguinte anúncio: "Eu acho que no Rio de Janeiro, nós temos cada um, que respeitar as pessoas. Cada um no Rio de Janeiro não deve ser obrigado a fazer nada. Eu acho que tem uma agenda do prefeito que deve ser cumprida, e que não necessariamente é a agenda da imprensa. É isso que nós temos que fazer."

De acordo com a prefeitura, mesmo com os cortes já anunciados, o carnaval do Rio de Janeiro irá receber investimentos em 2018, tais como por exemplo: a realização de obras na Avenida Marquês de Sapucaí para melhoria da condições de infraestrutura oferecidas as escolas que incluí os sistemas de som e luz, além de telões por toda a passarela.

Muitos se posicionaram contra a polêmica declaração e se dizem revoltados com a decisão do prefeito de mexer no carnaval e ainda afirmam que esta não seria a solução para o problema da verba. Uma das conhecidas opositoras é a autora de novelas Glória Perez, que conforme lamentou à Veja.com, o carnaval trás dinheiro para a cidade e gera empregos. Ela também retuíta mensagens de seguidores que fazem alusão a tais justificativas.

Na quinta-feira, 15, secretário municipal de conservação e meio ambiente, Rubens Teixeira, fez uma postagem em seu perfil da rede social Facebook para se manifestar sobre as críticas feitas pelas escolas de samba a cerca da decisão de Marcelo Crivella de cortar 50% do dinheiro destinado as agremiações com a seguinte afirmativa:

"Nem todos os turistas ou cidadãos cariocas que participam do carnaval vão ao Sambódromo. A maioria do povo não vai lá. A maioria de quem participa do carnaval vai a blocos de rua e outras programações. Muitos saem da cidade. Se é um show apenas para alguns, seria ótimo a iniciativa privada explorar. Há outras prioridades urgentes que beneficiam a expressiva maioria e que devem ser foco dos gestores sérios."

Outros pelo contrário, mesmo se declarando amantes da internacional folia de Momo, se posicionaram a favor da decisão do prefeito alegando bom senso diante do momento de crise que requer redução de gastos e também por acreditar que as escolas de samba possuem fonte de renda que permite a participação no desfile da festa de 2018, como a jovem Branca de Andrade: 

"Sinceramente, estão fazendo tempestade em um copo d'água. Amo o carnaval, mas essa questão está ridícula, estão fazendo desta redução de custos o fim do mundo. As escolas de samba tem patrocínio, as entradas para os eventos não saem por menos de R$50,00, além dos camarotes que são caríssimos. E sem contar todo o lucro gerado pelos eventos que ocorrem nas quadras das escolas de samba e que ficam para essas agremiações e não para outro fim. As fantasias são caras e ainda assim parece que o único meio de fazer carnaval vem da subvenção. Isso não se chama defender o carnaval mas sim, venha a nós e nada mais. O estado lucra com o turismo, mas parece que ninguém ainda percebeu que a prefeitura precisa reduzir os custos para investir em hospitais, etc. Eu não sou evangélica, apenas tenho o discernimento de saber o que é certo ou absurdo com estão falando por aí."

E também: "A exemplo do que já tivemos em 1982 quando não era permitido pôr pessoas em cima das alegorias, as escolas de samba fizeram poucas dessas alegorias e de tamanho pequeno. Enxerguem isso como um reencontro com a essência das escolas de samba com ênfase nas pessoas que amam a sua escola e desfilam por ela e sem toda essa tecnologia. Uma escola esteticamente com perfil do final dos anos 80 para o início dos 90. Seria muito bom fazer essa volta no tempo.", citou Bruno Ricardo.

Diante de tantas opiniões favoráveis e desfavoráveis também posso e venho dar a minha. Apesar de hoje em dia optar por outro tipo de divertimento, e da folia de fevereiro nunca ter sido a minha forma de divertimento preferida, não vou ser hipócrita de dizer que nunca participei do carnaval e de que não acho interessante todo o trabalho cultural desenvolvido pelas escolas de samba porque como moradora do RJ é algo quase impossível nunca ter tido participação por menor que seja  nessa festa, mas há pontos positivos e negativos sobre o carnaval e não considero que seja algo essencial para a vida de alguém, principalmente para os que não estão diretamente ligados a qualquer agremiação. O meu posicionamento é a favor da decisão tomada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, em dividir a verba, que seria destinada integralmente as escolas, com as futuras creches municipais.

Um ponto para levar em consideração é o valor que essas escolas já recebem com direito de imagem, venda de cds, de artigos como blusas e etc... que são vendidos nas butiques das próprias escolas, vendas de ingressos para assistir os desfiles (eu paguei R$250,00 por um lugar em uma arquibancada para assistir a escola que simpatizo desfilar novamente entre as campeãs após 21 anos de afastamento. E eu era bem novinha nessa época e ainda não tinha ido ao Sambódromo. Agora soma aquilo lá cheio.), com vendas de fantasias que são caras, dinheiro do projeto sócio-torcedor e também dos eventos que as quadras realizam o ano todo, além de apresentações mundo afora e mais alguma coisa que eu possa ter esquecido. Outro ponto é a histórica ligação dessas escolas com a contravenção que movimenta as máquinas de jogos ilegais no país, motivo que fez o governo criasse medidas de apoio para gerar afastamento desse elo, conforme li em uma reportagem a alguns anos atrás. Outra observação é que como explica o  Organizze, os eventos culturais também tem direito a um montante o que dá direito as  escolas de samba de receber uma porcentagem dessa verba, mas, a questão é a prioridade seria a educação infantil que justifica a divisão. Outro item a citar é a constante manifestação de intolerância demonstrada por muitos defensores do desfile de carnaval. É um troca de ofensas de pessoas que exigem respeito, apoio e compreensão sem se importar com o outro lado e julgam primeiramente como se tudo estivesse relacionado a escolha religiosa e não a sensatez administrativa. E finalizo o excesso de questionamento sobre a promessa feita na campanha de 2016 quando questionado se manteria o apoio as escolas no que diz respeito a dar dinheiro para as escolas. Ele respondeu que iria ver o que faria e manteria a parceria com as escolas como tem acontecido nos anos anteriores, e ela ainda existe e continuará no ano que vem porque o repasse não foi cortado e sim dividido por questão de prioridades. Outro argumento importante seria, como foi citado acima e eu concordo, a redução de alegorias e de toda a cara tecnologia tão presente nos desfile atualmente resgataria não só a essência do samba mas a segurança sem todos aqueles gigante que mostram toda a opulência das escola e ao mesmo tempo põe em risco a segurança dos participantes como ocorreu este ano quando aconteceu acidentes com carros imensos gerando acidentes e morte. E além de mostrar aquela mesma atuação de sempre com personagens e situações que cada vez mais se afastam da cultura brasileira, dando aparência do idêntico. Sem contar que como todos sabem, o carnaval também trás muitos efeitos negativos, como: aumento do consumo de bebidas alcoólicas, drogas, exacerbação da sensualidade e da violência criam uma ambiente desfavorável, conforme já havia citado o site do Extra.
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sábado, 10 de junho de 2017

O Rolé Carioca e a ilha de Paquetá

Em sua 5ª edição, o Rolé Carioca continua contando aos seus participantes as histórias que fazem parte do Rio de Janeiro. Em forma de passeios totalmente gratuitos, as pessoas que se juntam ao grupo guiado por professores de historiadores passeiam pelas ruas do Rio e ao mesmo tempo ficam conhecendo todo o passado que ajudou a construir a identidade cultural da cidade e de seus bairros contada em forma de diálogo com a população que prestigia o evento, criando um ambiente tranquilo e descontraído de aprendizado. É uma forma de explorar as sua memórias, e assim conhecer seu motivo de ser, suas nuances e deformidades. O projeto é idealizado pelo estúdio M'Baraká e tem como consultores de conteúdo os professores de História da Universidade Estácio de Sá Rodrigo Rainha e William Martins e tem por objetivo, como os mesmos descrevem, de difundir para preservar a cultura do estado entre moradores, visitantes, estudantes e turistas, contribuindo para a produção de conhecimento de bairros históricos tradicionais como Urca, Copacabana, etc..., e outros nem tanto, como é o caso de Madureira, Méier, e outros. Em 2017, o Rolé apresenta 6 roteiros: dia 11/06, Glória (especial Rolé do amor), nos Jardins do Museu da República; dia 25/06, Central do Brasil, no pátio externo da estação Central do Brasil; dia 27/08, Bangu; dia 1/10, Santa Tereza; dia 29/10, Cachambi e 26/11, São Cristóvão, todos com ponto de encontro a definir. Os passeios tem início às 9:00h.

O último encontro da edição passada foi na ilha de Paquetá, escolhido por meio de votação no site do Rolé Carioca como o passeio mais votado entre os participantes do projeto. A ilha de Paquetá é um bairro da zona central do município do Rio de Janeiro, que reúne diversas ilhas da Baía de Guanabara e a de Paquetá é a maior delas. É um local turístico com restaurantes, hotéis, comércio, policiamento, banco e outros serviços, onde o visitante tem uma agradável sensação ao chegar de ter feito uma viagem de volta no tempo. A ilha foi descoberto pela expedição francesa fundadora da França Antártica que ao chegar ao local constatou que o mesmo era habitado pelos índios tupinambás, que mais tarde ficariam conhecidos como tamoios. Estes a chamavam 'Paketá' por significar 'muitas pacas', uma espécie de roedor encontrado em abundância na região. No século XIX, a ilha serviu de hospedagem para D. João VI no Solar Del Rey (atualmente sede da biblioteca pública da ilha). Ali o político e naturalista José Bonifácio viveu seus últimos anos, cujo nome denomina uma das principais praias do bairro insular.

Veja o vídeo do Rolé Carioca à ilha de Paquetá:


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